Ana_Alvarenga_-_by_Victoria_Arenque

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De 13 à 18 de Outubro de 2015
Uberlândia / MG
Registro e Edição Allan Ribeiro

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O espetáculo

Em FAÇA ALGUM BARULHO, dois – andançarinos – confrontados por suas diferenças, reinventam sua expressão. Em seus gestos estão vivas atitudes de danças patrimoniais e de danças urbanas contemporâneas. Explorando estes contrastes provocados pela diversidade, um assume traços da personalidade do outro e este espelhamento provoca uma trama inusitada. Este encontro poderia também ser anunciado como um desafio entre os Lundus – dança brasileira de natureza híbrida, criada a partir dos batuques dos escravos bantos trazidos de Angola e dos ritmos portugueses, e as danças urbanas do hip hop.

O QUE É UM B-BOY? Um b-boy é aquele que se expressa através break beats (nestas batidas os b-boys buscam quebrar todas as regras refazendo constantemente os movimentos do seu corpo ) usando várias combinações ou conjuntos de movimentos do repertório da breakdance. Um verdadeiro b-boy irá adicionar seu próprio estilo para estes diversos conjuntos. Estes conjuntos são inovados através de muita disciplina, dedicação rigorosa e prática durante a session ou prática breakdance. Um verdadeiro b-boy vai dançar a qualquer hora, em qualquer lugar e qualquer dia, quando desafiado ou “chamado para fora”, por outro dançarino ou b-boy/b-girl estabelecendo uma “batalha”. Uma batalha entre um b-boy e outro bailarino ou b-boy, terá show, paz, amor e respeito.

OS PALHAÇOS do ciclo natalino são os personagens mais curiosos das Folias de Reis. Sempre mascarados e vestidos com roupas coloridas, seguram em suas mãos a espada ou facão de madeira, com os quais defendem a bandeira. Se houver um encontro de bandeiras o Bastião deve defendê-la, cruzando sua espada com outros Bastiões sem dó! É o Bastião quem recolhe as ofertas, anuncia a chegada da bandeira nas casas, pergunta se o dono da casa aceita a visita, descobre as ofertas escondidas, “quebra os atrapalhos”, utilizando de gestos ou cerimoniais feitos por quem conhece a tradição.

sexto dia-6

Foto: Victoria Arenque

Tambores que fecham e abrem caminhos
Rubens Barbot é Iansã, poder e imanência, na cena de abertura de Signos, espetáculo que encerrou a Mostra Artística do 4º Encontro Rede Terreiro de Dança Contemporânea, domingo à noite, no Teatro Municipal de Uberlândia. Se fosse só, um homem só em cena, Barbot é atravessado por muitas danças. Negro encarnado em vermelho e púrpura, rodando silenciosa e suavemente, rememorando a trajetória de 25 anos da Cia. que leva o seu nome e que se dedica ao teatro de dança, enverga vigor cênico, vitalidade artística que reaparece brejeira na sequência.
O trabalho segue no fluido em texturas, tecidos, tessituras suaves carregadas de personagens e histórias dançadas com humor, multi cores e nuances. São mil e uma possibilidades de olhar para estes signos coreográficos, recortes de histórias, multiplicação de peixes e possibilidades de narrativas visuais.
A plasticidade refinada, os tipos mundanos e o mundo de tipificações populares, as alegorias e os seres imagéticos que perpassam a cena afirmam uma assinatura preciosa de Barbot, Gatto Larsen, Luiz Monteiro e demais bailarinos, articulados para oferecer ao público muitas belezas.
Já na prédica coreográfica, o conjunto de intérpretes pede silêncio. Nessa quietude da fruição, a Cia. Rubens Barbot embala o olhar com delicadezas dançadas, vigor sutil, eternidades instantâneas corporificadas em fluidos da imaginação. São muitas nuances, dervixes que dançam devires, deferências à dança descortinada em emoção. Não é mais só, um homem só em cena. São muitos, somos todos.
Depois dos Signos da Cia. Rubens Barbot, o palco do Municipal recebeu o Terno de Congado Estrela Guia. Então a mesma reverência à dança de Barbot ganha contundência à genuflexão que a Rede Terreiro faz à afro-brasilidade em suas diferentes possibilidades. O tambor ancestral, a tradição e a religião, santos e santidades se encontram evocando caminhos para o seguir da dança negra em muitos palcos, nas encruzilhadas, nos altares, nas ruas, nas periferias que são novos centros de afirmação cultural. Na profunda necessidade de ancorar o futuro ao passado, reiventando a permanência e a imanência do terreiro hoje.
 
Carlinhos Santos é historiador, jornalista, crítico de dança, especialista em Corpo e Cultura e Mestre em Educação.

quinto dia-10

Foto: Victoria Arenque

Terreiro em transe, oferenda coreográfica
Uma conversa sobre os jeitos de manter companhias ou grupos cujo recorte de seu fazer artístico contemple questões da cultura negra movimento a noite de quinto dia da Rede Terreiro Contemporânea de Dança, no hall do Teatro Municipal de Uberlândia. Gatto Larsen, da Cia. Rubens Barbot Teatro de Dança mediou falas de integrantes da Wultos Cia de Dança, de Uberlândia, e da Nave Gris Cia. Cênica, de São Paulo.
Embora rápida, a conversa evidenciou que, se as especificidades desse fazer são um desafio, existem respostas e conquistas que afirmam a pertinência desta opção. O corpo híbrido, a dramaturgia específica, o ritual como alavanca da cena são questões de demarcam a trajetória de Nave Gris. Na fala de seu dramaturgo, Murilo de Paula, ficou claro que essas referências religiosas são aportes para a criação artística que precisa, sim, ter liberdade para transitar em cena. “Não levar o ritual para a cena é uma questão ética”, destacou Murilo. Nesse viés, um dos representantes da Wultos também destacou que “o que é dança afro não vira candomblé, mas tudo o que é candomblé, pode virar dança afro”.
Nos dois casos, a atuação desses grupos sofre os percalços das poucas possibilidades de manutenção devido a pouca oferta de editais para estas formas específicas de criação, reafirmando a questão recorrente da invisibilidade para da dança negra no contexto da produção coreográfica brasileira. O tema emerge, de novo, como uma questão que precisa estar no centro das discussões.
Então, isso vai para o palco, que teve dois momentos pontuais, espelhando justamente as apropriações das danças e das figuras dos orixás. Quando a Wultos mostra trechos de suas montagens em Do Ouro ao Ferro, há uma preocupação clara da mimese e da reverência. Então, ás vezes a repetição trai a inovação.
Mas o tambor retumba invenção quando a Nave Gris transita pela cena. Dikanga Calunga é terreiro em transe, oferenda coreográfica que reverbera e irradia profunda beleza, intensa devoção e arrebatadora competência artística que deriva da ritualidade corporal. O recital da religião dos calos, o mar de trânsito entre céu e terra, reverência e invenção, são uma festa do corpo, organização e reorganização de informações que configuram uma dança potente. Qualidade que brota justamente de uma atenção às trocas possíveis entre o ambiente da religião e as possibilidades da criação artística.
Nesses calcanhares da terra, Kanzelumuka é deusa, deusas. É cavalo de fluxos entre o ancestral e o contemporâneo. Feminino que se reparte em divindades, é ousado, intenso, fractal de morte e vida, de nascer e renascer, de dançar frêmitos. Iansã na pista disco sensualizando! Frescor e liberdade para ocupar a cena com intensidade que se esparrama do palco ao público. Diáspora de bons eflúvios, evoés, orixás. Saudades do mar, saudação às passagens.
A qualidade e a competência do trabalho da Nave Gris se esparramam pelos demais recursos em cena, da música ao vivo à luz e aos figurinos que dão ainda mais eloquência ao que se está dançando. São águas lustrais que irrigam os caminhos possíveis da dança contemporânea brasileira.
Programação deste domingo   Na Oficina Cultural:
Das 9h às 17h – Oficina Teórica – Inovação em Projetos Culturais, com André Martinez
Das 14h às 17h – Oficina de Dança – Dança Negra Contemporânea> procedimentos criativos, com a Nave gris Cia. Cênica
No Teatro Municipal de Uberlândia
Das 19h às 20h, espetáculos Signos, da Cia Rubens Barbot Teatro de Dança 20h30min, Cortejo de encerramento com o terno de Congado Estrela Guia
 
Carlinhos Santos é historiador, jornalista, crítico de dança, especialista em Corpo e Cultura e Mestre em Educação

quarto dia-7

Foto: Victoria Arenque

Cenas de dança, dança urbana em cena

Duas atividades do quarto dia da Rede Terreiro Contemporâneo de Dança evidenciaram produções audiovisuais exibidas no palco do teatro Municipal de Uberlândia, onde também se apresentou o Coletivo Breaking no Asfalto, com o espetáculo Feito Som e Fúria.

O curta Ensaio De Cinema, de Allan Ribeiro, evidenciou a cumplicidade artística de Gatto Larsen e Rubens Barbot na dança, no cinema, na vida. Engenhoso, sutil, com toques de humor e profunda deferência ao cinema, o filme dança em torno de paixões que ampliam o olhar do público e dos próprios intérpretes/personagem/diretor para o alcance de arte. Assim como a câmera transita pelo íntimo, revelando paixões e arrebatamento que alimentam essas figuras feito pão e café à mesa do cotidiano, se abrindo para o mundo, enquadrando vetores de recomeço de outras cenas da vida seja em travelling, fade in, fade out.
A exibição em vídeo de Othelo – Ensaio Coreográfico, protagonizado por Elísio Pitta, oportunizou o contato com uma produção refinada, que articula recursos tecnológicos de montagem e execução à vigorosa presença cênica do intérprete.
Embora um pouco prejudicada pela qualidade de projeção, assistir ao trabalho é constar uma cuidadosa pesquisa dramatúrgica de um texto clássico que insere a figura negra com o protagonista da cena em imbricamentos com a cultura dos orixás. Há uma dinâmica estética e coreográfica que dão à obra um refinamento visual e artístico ímpar, derivando para a imperiosa vontade de ver “ao vivo” a refinada criação de Pitta e seus cúmplices artísticos dessa transposição de dores, angústias e dilemas das tragédias humanas dançadas para o arrebatamento.
Já a apresentação do Coletivo Breaking no Asfalto, com o espetáculo Feito Som e Fúria, afirmou a qualidade e a potência das danças urbanas como linguagem e caminho para a contemporaneidade coreográfica. Não à toa o coreógrafo americano William Forsythe tem dito que o futuro da dança é o hip hop. O coletivo de b-boys mostra executa dança em 3D, reinventa entradas e saídas para o corpo dançante, é vigoroso e preciso, suave e malemolente. Inventa entradas e saídas de cena em sua sempre reinvenção da roda, em sua batalha de recursos e relações coreográficas.
A questão que emerge em Feito Som é Fúria é a sua relação com o palco italiano, suas opções cenográficas e sua amarração dramatúrgica. Há, claro, uma necessidade e uma entrega verdadeira dos intérpretes na ocupação desse lugar que empodera seus artífices, no reconhecimento e na promoção daquilo que “vem da rua” e agora “está no palco”.  Mas não seria, neste caso, a rua o melhor palco para estas cenas?! Ou, enfim, com como aproximar e enfeixar todos estes – repita-se! – vigorosos intérpretes e suas danças numa dramaturgia que acrescente outras dimensões ao – repita-se outra vez, na perspectiva da construção de uma assinatura – outro infinito poder curador do nosso povo que as portas da percepção do hip hop têm aberto à dança contemporânea? A trilha de abertura do trabalho responde um pouco a estas questões, pedindo respeito e valoração aos moleques que dançam. Que assim o seja.
Sobre como fazer a roda girar
A Rodada de Negócios, experimentada pela primeira vez na Rede Terreiro Contemporâneo de Dança, é um mecanismo que tem sido recorrente em encontros de dança e outras vertentes cênicas. Contribui para a dinamização do segmento e fortalecimento de outras perspectivas da cadeia produtiva. Diretor geral do Cena Cumplicidades, festival que atualmente se movimenta as cidades de Olinda, Recife, João Pessoa e Buenos Aires, Arnaldo Siqueira esteve em Uberlândia para a atividade. Com experiência em várias delas, principalmente em outros países, sendo a última em Córdoba, ele diz que a rodada de fato está a serviço da produção artística na medida em que exista oferta.
– Quando se tem boa produção para apresentar aos programadores, aí então é bom para todos, organizadores, artistas e programadores – salienta.
Mesmo sendo esta uma premissa básica e óbvia, Siqueira ressalta que isso não acontece no Brasil. Uma rodada, segundo ele, exige intensidade devido à exiguidade de seu tempo de realização, sendo dois dias uma boa referência. Mas, ressalta oura vez, se não houver uma boa produção a ser mostrada o melhor é promover encontros e espaços de convivência entre os artistas, produtores, curadores e programadores de forma mais informal. Refletindo sobre a rodada da Rede Terreiro, Siqueira diz:
– Embora não tenha agregado grande quantidade, teve um recorte interessante ao se voltar para a estética negra. Um viés internacional nessa produção seria ainda muito mais interessante. Aqui na rede, o recorte é inovador e a produção que veio foi muito significativa. Foi uma satisfação falar com estas pessoas e conhecer suas produções.
Siqueira também fala da possibilidade de se pensar em pequenas apresentações dos trabalhos das rodadas. Pockets apresentações de cerca de 10 minutos, com recortes dos trabalhos negociados, em salas específicas, de forma a complementar as conversas e os material deixado aos curadores e programadores seriam mais um mecanismo de qualificação deste tipo de atividade.
Nesses encontros, às vezes o resultado pode não ser imediato, mas abre a possibilidade de aproximar os segmentos, para possíveis negócios futuros. – A gente conhece os artistas, descobre a envergadura do trabalho, a seriedade e o perfil dele, e isso nos ajuda em programações futuras – destaca o curador, apontando outra constatação nesse processo:
– Às vezes a rodada mostra que o artista não está bem preparado para falar do trabalho dele.
A função de programador e curador também são questões pontuais para a construção de rodadas de negócios ainda mais produtivas. Siqueira pondera que são funções de origens e aplicações diferentes. A dificuldade é alinhar e agregar esses trabalhos não num sentido estético, mas também pensando nele. Contextos como cidades, público, devem ser pensados. E mais:
– O curador precisa pensar onde está quem ele quer atingir, se um público mais específico, ou público mais comum. Uma curadoria articula ou não esses elementos. A dificuldade é articular todas estas questões colocadas e pensar em que informação de dança para atualizar repertórios, contemplando expectativas, oferecendo olhares e recortes diferenciados, mostrando para o público que há varias possibilidades de olhara dança – diz, acrescentando:
Para Siqueira, a curadoria é um exercício de totalidade, pois trabalha com sub curadores e alinhada com os programadores.
– Mas, no todo, a missão é oportunizar ao público, à cidade e ao cidadão, assistir a trabalhos artísticos, ampliando o acesso dele às informações. Esta é a missão cidadã das curadorias e dos festivais. Um curador se encaixa numa proposição de sociedade, com perspectivas políticas e sociais. É um trabalho que tem muitas interlocuções. O bacana de uma curadoria é que ela agrega de uma maneira tal as margens das de sua própria produção de forma que as coisas funcionem com organicidade e se irradiem como informação organizada.
Desenvolvendo assim seu trabalho, Arnaldo Siqueira tem experiência de mais de duas décadas e, no Cena Cumplicidade, desenvolve ações que integram cidades em torno da dança, num projeto de ativismo artístico que integra instituições, ONGs, espaços, grupos, artes e artistas. Dialoga também com instituições internacionais, no sentido de trazer informações e inserir sua região no calendário internacional.
A partir desta trajetória, Siqueira percebe cada vez mais o Cena Cumplicidades como uma plataforma de ações que, em Olinda, se esparrama pelo mapa, ladeiras e lugares, com atividades de música e artes, teatro e outras manifestações, que cada vez mais encontra cúmplices fruidores da possibilidade do entendimento da arte como mecanismo de promoção da cidadania.
Programação deste sábado
Na Oficina Cultural:
Das 9h às 17h – Oficina Teórica – Inovação em Projetos Culturais, com André Martinez
Das 14h às 17h – Oficina de Dança – Dança Negra Contemporânea> procedimentos criativos, com a Nave gris Cia. Cênica
No Teatro Municipal de Uberlândia
Das 19h às 20h, Conversas com o público – Mediação Gatto Larsen e participação da Wultos Cia de Dança e Nave Gris Cia. Cênica
Das 20h às 22h, espetáculos Do Ouro ao ferro, da Wultos, e Dikanga Kalunga, da Nave Gris
 
Carlinhos Santos é historiador, jornalista, crítico de dança, especialista em Corpo e Cultura e Mestre em Educação

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Foto: Victoria Arenque

Ampliando as redes possíveis
O debate em torno da Rede Ibero-Americana de Dança e da criação de uma rede de festivais de dança movimentou as atividades da tarde de quinta-feira na quarta edição da Rede Terreiro Contemporâneo de Dança. Estes laços de ação e a dança produzida no ambiente dos laços familiares seguiram na pauta à noite, nas apresentações dos Manos do Hip Hop e da Rui Moreira Cia. De Dança, no Teatro Municipal de Uberlândia.
Coordenador de Dança da Funarte, Fabiano Carneiro apresentou ações da instituição no ambiente brasileiro e ibero-americano. Reafirmou a meta da descentralização de atividades, destacando o encontro da Rede Funarte Ibero-Americana realizado no ano passado, no Rio de Janeiro, na perspectiva de focar e fortalecer elos da cadeia produtiva em caráter internacional. Esta articulação se vale, inclusive, do Fundo Ibero-Americano, do Ministério da Cultura, e de rodadas de negócios como a realizada na ocasião.
No mesmo contexto, a Funarte esteve presente na reunião da Rede Sul-Americana de Dança, de onde surgiu a necessária e ideia de mapeamento de festivais no ambiente do Mercosul. Um novo encontro da Rede Ibero-Americana de Dança está marcado para 2016. A ideia é ampliar as ações e, para tal, Carneiro convocou a união do setor para a manutenção de algumas conquistas.
Questionado sobre a inclusão da rede de cursos de formação em dança das universidades brasileiras nessa rede, Carneiro sinalizou positivamente para a ideia com o exemplo da experiência da Cátedra Itinerante, da Venezuela.
Na conversa sobre o Plano Nacional das Artes e de uma política de Fomento Nacional de Dança, as questões foram muitas:
·Sobre a representatividade, ou perda dela, da Funarte na conjuntura.
·A definição, e foco, no fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura, por um plano artístico agregador e potente
·Pelo desafio e de manter e estabelecer metas a curto, médio e longo prazo das políticas públicas para o setor
·Da perspectiva da implantação de uma rede de difusão da dança, com circuitos, rede de espaços cênicos e políticas específicas para os festivais
·Sobre como atualizar, dinamizar e potencializar os mecanismos de divulgação de ações do setor por instituições como a Funarte
·Da imperiosa necessidade de aprofundar o diálogo do Ministério da Cultura e da Funarte com os cursos de ensino superior em dança no Brasil.
·Sobre que diálogo efetivo será estabelecido com os setores produtivos.
·E (boa notícia!) da perspectiva de criação de uma Diretoria de Dança no Minc
Depois da tarde de acaloradas conversas, hora de conversar e dançar no Teatro Municipal de Uberlândia.
Antes das apresentações de Duo, doa Manos do Hip Hop, de Uberlândia, e da Rui Moreira Cia. De Dança, com Definitivo é o Fim, uma conversa mediada pela professora e artista da dança Edileuza Santos, pontuou questões em torno das danças feitas em família, da tradição e da transmissão dessas informações através de gerações, bem como sobre os espaços para a dança negra.
Na perspectiva de Edileuza, a dança negra se afirma pelo corpo presente, atento às questões religiosas, mas que se insere em questões políticas. Nesse sentido, é preciso demarcar espaços nos festivais e editais, que parecem insistir na invisibilidade dessa matriz cultural, ainda vítima de preconceitos. Esse corpo negro que dança é religioso, político, social e carrega questões pessoais, destacou Edileuza.
No atravessamento entre corpo, lugar e contexto, destaca-se ainda que a cultura negra é permeada por tradição e coletividade.
Então, dona Ormezinda Abadia entra na conversa contando sobre o surgimento dos Manos do Hip Hop, ideia de seus filhos, na varanda da casa da família que um dia foi no Centro de Uberlândia e hoje está na periferia. Evangélica, contradiz certos preceitos da religião, para resumir sua relação atávico-ética-étnica com a dança: “tocou a gente dança”.
Essa noção de corporeidade específica foi a palco do Manos do Hip Hop num trânsito/transe de reverências às danças religiosas para os recursos das dança urbanas. Místico, mistura, mix e remix que afirmam o resultado do ambiente de dança específico de Uberlândia, sua tradição do congado e do moçambique, misturada à emergência do hip hop e suas derivações nos anos 1980 e 1990. Novamente, a cena e os debates contemplam outra fala de Ormezinda: “tivemos que fazer uma história”.
Programação de hoje Teatro Municipal de Uberlândia
Das 16h às 20h, exibição de Othelo, Ensaio Coreográfico, com Elísio Pitta, da Cuia C, de Salvador, e Mostra de Documentários e sessão comentada da Cia. Étnica, com a documentarista Carmem Luz
Das 20h às 21h50min – Espetáculo Feito som e Fúria, do Coletivo Breaking no Asfalto
 
Carlinhos Santos é historiador, jornalista, crítico de dança, especialista em Corpo e Cultura e Mestre em Educação