Terceiro dia 4º Encontro Rede Terreiro Contemporâneo de dança

outubro 18, 2015

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Foto: Victoria Arenque

Ampliando as redes possíveis
O debate em torno da Rede Ibero-Americana de Dança e da criação de uma rede de festivais de dança movimentou as atividades da tarde de quinta-feira na quarta edição da Rede Terreiro Contemporâneo de Dança. Estes laços de ação e a dança produzida no ambiente dos laços familiares seguiram na pauta à noite, nas apresentações dos Manos do Hip Hop e da Rui Moreira Cia. De Dança, no Teatro Municipal de Uberlândia.
Coordenador de Dança da Funarte, Fabiano Carneiro apresentou ações da instituição no ambiente brasileiro e ibero-americano. Reafirmou a meta da descentralização de atividades, destacando o encontro da Rede Funarte Ibero-Americana realizado no ano passado, no Rio de Janeiro, na perspectiva de focar e fortalecer elos da cadeia produtiva em caráter internacional. Esta articulação se vale, inclusive, do Fundo Ibero-Americano, do Ministério da Cultura, e de rodadas de negócios como a realizada na ocasião.
No mesmo contexto, a Funarte esteve presente na reunião da Rede Sul-Americana de Dança, de onde surgiu a necessária e ideia de mapeamento de festivais no ambiente do Mercosul. Um novo encontro da Rede Ibero-Americana de Dança está marcado para 2016. A ideia é ampliar as ações e, para tal, Carneiro convocou a união do setor para a manutenção de algumas conquistas.
Questionado sobre a inclusão da rede de cursos de formação em dança das universidades brasileiras nessa rede, Carneiro sinalizou positivamente para a ideia com o exemplo da experiência da Cátedra Itinerante, da Venezuela.
Na conversa sobre o Plano Nacional das Artes e de uma política de Fomento Nacional de Dança, as questões foram muitas:
·Sobre a representatividade, ou perda dela, da Funarte na conjuntura.
·A definição, e foco, no fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura, por um plano artístico agregador e potente
·Pelo desafio e de manter e estabelecer metas a curto, médio e longo prazo das políticas públicas para o setor
·Da perspectiva da implantação de uma rede de difusão da dança, com circuitos, rede de espaços cênicos e políticas específicas para os festivais
·Sobre como atualizar, dinamizar e potencializar os mecanismos de divulgação de ações do setor por instituições como a Funarte
·Da imperiosa necessidade de aprofundar o diálogo do Ministério da Cultura e da Funarte com os cursos de ensino superior em dança no Brasil.
·Sobre que diálogo efetivo será estabelecido com os setores produtivos.
·E (boa notícia!) da perspectiva de criação de uma Diretoria de Dança no Minc
Depois da tarde de acaloradas conversas, hora de conversar e dançar no Teatro Municipal de Uberlândia.
Antes das apresentações de Duo, doa Manos do Hip Hop, de Uberlândia, e da Rui Moreira Cia. De Dança, com Definitivo é o Fim, uma conversa mediada pela professora e artista da dança Edileuza Santos, pontuou questões em torno das danças feitas em família, da tradição e da transmissão dessas informações através de gerações, bem como sobre os espaços para a dança negra.
Na perspectiva de Edileuza, a dança negra se afirma pelo corpo presente, atento às questões religiosas, mas que se insere em questões políticas. Nesse sentido, é preciso demarcar espaços nos festivais e editais, que parecem insistir na invisibilidade dessa matriz cultural, ainda vítima de preconceitos. Esse corpo negro que dança é religioso, político, social e carrega questões pessoais, destacou Edileuza.
No atravessamento entre corpo, lugar e contexto, destaca-se ainda que a cultura negra é permeada por tradição e coletividade.
Então, dona Ormezinda Abadia entra na conversa contando sobre o surgimento dos Manos do Hip Hop, ideia de seus filhos, na varanda da casa da família que um dia foi no Centro de Uberlândia e hoje está na periferia. Evangélica, contradiz certos preceitos da religião, para resumir sua relação atávico-ética-étnica com a dança: “tocou a gente dança”.
Essa noção de corporeidade específica foi a palco do Manos do Hip Hop num trânsito/transe de reverências às danças religiosas para os recursos das dança urbanas. Místico, mistura, mix e remix que afirmam o resultado do ambiente de dança específico de Uberlândia, sua tradição do congado e do moçambique, misturada à emergência do hip hop e suas derivações nos anos 1980 e 1990. Novamente, a cena e os debates contemplam outra fala de Ormezinda: “tivemos que fazer uma história”.
Programação de hoje Teatro Municipal de Uberlândia
Das 16h às 20h, exibição de Othelo, Ensaio Coreográfico, com Elísio Pitta, da Cuia C, de Salvador, e Mostra de Documentários e sessão comentada da Cia. Étnica, com a documentarista Carmem Luz
Das 20h às 21h50min – Espetáculo Feito som e Fúria, do Coletivo Breaking no Asfalto
 
Carlinhos Santos é historiador, jornalista, crítico de dança, especialista em Corpo e Cultura e Mestre em Educação
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