Sexto dia do 4º Encontro Rede Terreiro Contemporâneo de dança

outubro 20, 2015

sexto dia-6

Foto: Victoria Arenque

Tambores que fecham e abrem caminhos
Rubens Barbot é Iansã, poder e imanência, na cena de abertura de Signos, espetáculo que encerrou a Mostra Artística do 4º Encontro Rede Terreiro de Dança Contemporânea, domingo à noite, no Teatro Municipal de Uberlândia. Se fosse só, um homem só em cena, Barbot é atravessado por muitas danças. Negro encarnado em vermelho e púrpura, rodando silenciosa e suavemente, rememorando a trajetória de 25 anos da Cia. que leva o seu nome e que se dedica ao teatro de dança, enverga vigor cênico, vitalidade artística que reaparece brejeira na sequência.
O trabalho segue no fluido em texturas, tecidos, tessituras suaves carregadas de personagens e histórias dançadas com humor, multi cores e nuances. São mil e uma possibilidades de olhar para estes signos coreográficos, recortes de histórias, multiplicação de peixes e possibilidades de narrativas visuais.
A plasticidade refinada, os tipos mundanos e o mundo de tipificações populares, as alegorias e os seres imagéticos que perpassam a cena afirmam uma assinatura preciosa de Barbot, Gatto Larsen, Luiz Monteiro e demais bailarinos, articulados para oferecer ao público muitas belezas.
Já na prédica coreográfica, o conjunto de intérpretes pede silêncio. Nessa quietude da fruição, a Cia. Rubens Barbot embala o olhar com delicadezas dançadas, vigor sutil, eternidades instantâneas corporificadas em fluidos da imaginação. São muitas nuances, dervixes que dançam devires, deferências à dança descortinada em emoção. Não é mais só, um homem só em cena. São muitos, somos todos.
Depois dos Signos da Cia. Rubens Barbot, o palco do Municipal recebeu o Terno de Congado Estrela Guia. Então a mesma reverência à dança de Barbot ganha contundência à genuflexão que a Rede Terreiro faz à afro-brasilidade em suas diferentes possibilidades. O tambor ancestral, a tradição e a religião, santos e santidades se encontram evocando caminhos para o seguir da dança negra em muitos palcos, nas encruzilhadas, nos altares, nas ruas, nas periferias que são novos centros de afirmação cultural. Na profunda necessidade de ancorar o futuro ao passado, reiventando a permanência e a imanência do terreiro hoje.
 
Carlinhos Santos é historiador, jornalista, crítico de dança, especialista em Corpo e Cultura e Mestre em Educação.
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